terça-feira, 13 de maio de 2008

PERSONAGENS HISTÓRICOS



"Bravos companheiros da 1ª Brigada de Cavalaria !
Ontem obtivestes o mais completo triunfo sobre os escravos da corte do Rio de Janeiro, a qual, invejosa das vantagens locais da nossa província, faz derramar sem piedade o sangue de nossos compatriotas, para deste modo, fazê-la presa de suas vistas ambiciosas. Miseráveis ! Todas as vezes que vis satélites se têm apresentado diante das forças livres, têm sucumbido, sem que este fatal desengano os faça desistir de seus planos infernais.
São sem números as injustiças feitas pelo governo. Seu despotismo é o mais atroz. E sofreremos calados tanta infâmia ? Não, nossos compatriotas, os rio-grandenses, estão dispostos, como nós, a não sofrer por mais tempo, a prepotência de um governo tirânico, arbitrário e cruel como o atual. Em todos os ângulos da província não soa outro eco que o de INDEPENDÊNCIA, REPÚBLICA, LIBERDADE OU MORTE. Este eco, majestoso, que tão constantemente repetis, como uma parte deste solo de homens livres, me faz declarar que proclamamos a nossa independência, para o que nos dão bastante direito os nossos trabalhos pela liberdade, e o triunfo que ontem obtivemos, sobre esses miseráveis escravos do poder absoluto.

Camaradas ! Nós que compomos a 1ª Brigada do Exército Liberal devemos ser os primeiros a proclamar, como proclamamos, a independência desta província, a qual fica desligada das demais do Império, e forma um estado livre e INDEPENDENTE, com o título de REPÚBLICA RIO-GRANDENSE, e cujo manifesto a nações civilizadas, se fará competentemente.
Camaradas ! Gritemos pela primeira vez: VIVA A REPÚBLICA RIO-GRANDENSE ! VIVA A INDEPENDÊNCIA ! VIVA O EXÉRCITO REPUBLICANO RIO-GRANDENSE !

Campo dos Meneses, 11 de setembro de 1836.Antônio de Souza Netto, Comandante da 1ª Brigada de Cavalaria."

*Comentario: essa foi a proclamação lida pelo Tenente-Coronel Joaquim Pedro Soares, um dia apos a vitoria dos farrapos na Batalha do Seival. No dia seguinte, 12/09/1836, ocorreu outra cerimônia, que constou da lavratura e assinatura solene da ata de declaração de independência e Proclamação da República Rio-Grandense.
Aos onze dias do mês de setembro do ano de mil oitocentos e trinta e seis, no acampamento volante da costa do rio Jaguarão Chico, achando-se a 1ª Brigada Republicana em grande parada, estando presente o Coronel comandante da mesma, oficiais e oficiais inferiores que subscrevem, por unânime vontade destes e da tropa, foi declarado que - A província do Rio Grande do Sul de agora em diante se constitiu LIVRE E INDEPENDENTE, com o título de REPÚBLICA RIO-GRANDENSE, não só por ter todas as faculdades para se apresentar entre as demais nações livres do universo, se não também obrigada pela prepotência do Rio de Janeiro, que por tantas vezes tem destruído seus filhos, ora deprimindo sua honra, ora derramando seus sangue e, finalmente, desfalcando-a de suas rendas públicas. Por todos os motivos que se declararão em uma próxima reunião da Assembléia Nacional Constituinte e Legislativa, protestam ante o ser supremo do Univerno, não embainhar suas espadas, e derramar todo o seu sangue antes de retroceder de seus princípios políticos, proclamados na presente declaração."

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